Entre os resultados naturais da fase inicial e secreta do chamado do Mensageiro ﷺ ao Islam estava o facto de os seus seguidores serem apenas um pequeno número de indivíduos.
Sem dúvida, a primeira a crer no Mensageiro de Deus ﷺ entre as mulheres foi Khadijah; entre os homens, Abu Bakr; entre os jovens, Ali; e entre os servos, Zayd.
Alguns historiadores descreveram Abu Bakr da seguinte forma:
“Era um homem amado e acessível entre o seu povo — bondoso e gentil. Era o mais conhecedor das genealogias das tribos e dos acontecimentos, bons e maus, que haviam ocorrido entre elas. Era um comerciante de caráter nobre e reputação bem conhecida. Os homens do seu povo costumavam procurá-lo e sentir-se próximos dele por muitas razões — pelo seu conhecimento, pelo seu comércio e pela sua boa companhia.”
Abu Bakr fez uso da confiança e do afeto que as pessoas tinham por ele e convidou ao Islam aqueles em quem confiava. Assim, através dos seus esforços, figuras centrais do Islam nos seus primeiros tempos abraçaram a fé — entre elas: Zubayr, Uthman, Talhah, Saad e Abd ar-Rahman — todos os quais receberam posteriormente as boas-novas do Paraíso pelo próprio Mensageiro ﷺ.
Os membros da própria família de Abu Bakr estiveram também entre os primeiros a entrar no Islam, como se demonstra no relato da Migração.
Relata-se que, entre aqueles que abraçaram o Islam através do convite de Abu Bakr, estavam: Musab, Ayyash e Arqam.
Lições e Reflexões
1. A Bênção da Boa Companhia
A história dos primeiros crentes no Islam revela claramente o profundo impacto de manter a companhia de pessoas justas.
Khadijah alcançou o mais elevado grau de fé devido à sua proximidade com o Mensageiro de Deus ﷺ.
Abu Bakr era o melhor amigo do Mensageiro ﷺ, e essa proximidade levou-o à fé imediata.
Ali e Zayd alcançaram igualmente essa honra por terem sido criados sob o cuidado e a proteção do Mensageiro ﷺ.
2. O Poder do Bom Caráter
As boas maneiras e o trato gentil estão entre os meios mais fortes de atrair corações e conquistar mentes. As melhores pessoas são aquelas que são afáveis e fáceis de se relacionar. A aspereza e a severidade frequentemente afastam os outros e tornam-se obstáculos no caminho de partilhar o Islam.
3. A Influência dos Justos Entre os Ricos e Influentes
Aqueles que possuem estatuto social ou riqueza, quando são justos, podem ter um impacto poderoso na atração de novos apoiantes da fé. A sua posição e reputação servem como pontes para corações que, de outra forma, permaneceriam distantes.
4. O Modelo de Abu Bakr
A sua iniciativa imediata em convidar outros ao Islam — desde o dia em que abraçou a fé até ao seu falecimento — é o melhor exemplo do verdadeiro crente cuja fé o impulsiona à ação. O seu zelo não foi um entusiasmo passageiro, mas uma missão constante ao longo da vida, nascida de uma convicção profunda e de um propósito inabalável.
5. A Universalidade do Chamado ao Islam
O Islam espalhou-se por todos os clãs de Meca; não ficou limitado à família do Mensageiro ﷺ. O Mensageiro ﷺ não restringiu a sua mensagem à sua própria tribo, pois o Islam é a graça de Deus para toda a humanidade. A aceitação precoce do Islam por pessoas de várias tribos refutou qualquer alegação de que o Islam pretendia promover interesses tribais ou elevar o clã do Mensageiro ﷺ acima dos demais.
6. A Permanência da Devoção dos Primeiros Crentes
Os primeiros muçulmanos permaneceram líderes e pioneiros na guerra e na paz, na política e no governo, no conhecimento, na jurisprudência e na orientação religiosa. A sua fé não foi um entusiasmo momentâneo, mas uma crença profunda e duradoura que moveu os seus corações, mentes e ações para servir o Caminho de Deus. Nunca se entregaram ao conforto, ao luxo ou à ociosidade desde o momento em que creram até encontrarem o seu Senhor. Que Deus aceite os seus esforços e os recompense generosamente.
7. A “Estranheza” Digna dos Primeiros Crentes
Os primeiros crentes eram estranhos numa sociedade dominada pela ignorância, pelo caos e pela corrupção. No entanto, essa estranheza não era de fraqueza, humilhação ou derrota. O Islam cultivou neles um espírito de honra, dignidade e elevação acima da descrença. Estavam sempre atentos ao seu dever de transformar e reformar essa sociedade corrupta, de derrubar os seus falsos alicerces e de erguer bem alto o estandarte do Islam — com determinação inabalável e plena confiança na promessa de Deus de vitória e estabelecimento do Seu Caminho sobre a terra. Assim, competiam entre si no esforço pela causa de Deus, disputando para elevar a Sua palavra acima de todas as outras.